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Entrevista ao Prof. Max Coltheart
03.12.2009

Entrevista ao Prof. Max Coltheart

Alexandra Figueiredo, jornalista do Portal da Psicologia, entrevistou Max Coltheart, conceituado especialista mundial em linguagem. A entrevista centrou-se numa perturbação que tanto afecta as crianças portuguesas: A dislexia.

Max Coltheart é Professor de Psicologia da Macquarie University (Austrália) e director científico do Macquarie Centre for Cognitive Science.



Portal da Psicologia (PP):
Pode explicar porque é que é tão difícil fazer um diagnóstico de dislexia?
Max Coltheart (MC): Há várias razões, mas a mais importante é a de que a pesquisa revelou que existem pelo menos 6 subtipos diferentes de dislexia. Assim, o diagnóstico diferencial é crucial (e os diferentes subtipos necessitam de diferentes intervenções). Estes dados científicos ainda não penetraram na prática clínica, onde a dislexia é encarada com uma condição única e homogénea. Isso torna o diagnóstico muito difícil.

PP: Quais poderão ser os sinais que levem os pais e professores a suspeitar de que as crianças têm dislexia?
MC: Os diferentes subtipos de dislexia têm sinais diferentes. Os professores deverão ser instruídos para compreender isto. Não podermos esperar que os pais estejam cientes destes factos, mas deverão notar que os sues filhos não são tão bons na leitura do que as restantes crianças da mesma idade. Isso deve leva-los a suspeitar de um problema de leitura.

PP: É possível ser disléxico numa língua mas não noutra?
MC: Sim.

PP: Porquê?
MC: Alguns exemplos: Um tipo de dislexia de desenvolvimento comum reside numa dificuldade específica na relação letra-som, diagnosticada por um fraco desempenho na leitura de palavras que não existem. A isto chamamos dislexia fonológica. Um criança a aprender a ler português e chinês, que tenha esta forma de dislexia no português, pode não tê-lo no chinês, porque o chinês não se escreve da mesma forma. Portanto é possível ser disléxico em português mas não em chinês.
Outro tipo de dislexia de desenvolvimento consiste na dificuldade em ler utilizando o reconhecimento da palavra toda em vez das regras letra-som. A isto chamamos dislexia de superfície. É diagnosticada pela dificuldade na leitura de palavras irregulares (aquelas que não obedecem às regras letra-som habituais). O inglês tem muitas destas palavras, mas outras línguas, como o italiano, húngaro ou o finlandês não têm nenhumas (infelizmente desconheço o caso do português*). Portanto uma criança bilingue que aprenda a ler em inglês e italiano e que apresente dificuldades em inglês, pode não apresentar em italiano.

PP:
Em geral, existe a ideia de que um disléxico vai ter grandes dificuldades de aprendizagem, no entanto, existem muitos disléxicos famosos, que tiveram uma vida brilhante. Como é que isto é possível?
MC: Primeiro que tudo, diz-se várias vezes que Leonardo Da Vinci, Einstein, entre outros, eram disléxicos, mas não existem certezas científicas. Que prova temos que alguma pessoa com uma vida brilhante tenha sido disléxico? O Einstein é um bom exemplo_ o seu biógrafo refere que os seus pais diziam que ele era o melhor da classe aos 7 anos e que lia livros de física aos 12 anos. Portanto essa ideia não é fidedigna, visto que não existem evidências que a defendam.
Segundo ponto: Suponhamos que Leonardo era disléxico – suponhamos que nunca aprendeu a ler. O que os poderia levar a supor que ele não fosse um brilhante pintor? Não existe simplesmente nenhuma ligação.

PP: Qual é a melhor forma de reabilitar um disléxico?
MC: Bem, isso depende do tipo de dislexia com que estamos a lidar.

PP: O que acha da utilização de primas ópticos para reabilitar a dislexia?
MC: Essa parece-me tratar-se de uma escola que pensar que existe apenas um tipo de dislexia. Como tal não ´+e verdade, essa terapia não faz sentido.

PP:
Nos últimos anos, os diagnósticos de dislexia parecem ter aumentado. Existe alguma justificação?
MC: Que prova temos de que os diagnósticos tenham aumentado? Pode ser que sim, mas não tenho dados que o suportem. E estamos a referir-nos ao diagnóstico internacional ou a reportar-nos apenas a alguns países?

PP:
O Seu modelo de DRC, parece ser muito popular e útil para explicar a dislexia. No entanto, sabemos que existem outros modelos (p.ex. os modelos conexionistas), e que o seu modelo tem recebido algumas críticas. Existe alguma razão para não existir um modelo universal e unificado que expliquei a leitura?
MC: O objectivo do modelo DRC e o de outros modelos, como o modelo CDP+ é explicar o máximo de factos conhecidos da leitura possível. Os autores do modelo conexionista PDP disseram explicitamente que este não é o objectivo deles: em vez disso pretendem ilustrar como é que as características gerais da perspectiva PDP se aplicam a cognição, como o processamento paralelo, representação distribuída. Nenhum modelo pode atingir ambos os objectivos.

PP:
Há alguma mensagem que gostasse de deixar aos disléxicos portugueses?
MC: Se está à procura de intervenção, primeiro precisa de saber que tipo de dislexia tem.

Agradecimentos:
O Portal da Psicologia agradece a Max Coltheart a simpatia que teve em nos conceder esta entrevista e a Rui Manuel Carreteiro, investigador português, especialista em dislexia, a simpatia que teve em nos ajudar a rever alguns conceitos científicos nesta tradução.

*contactado pelo Portal da Psicologia, Rui Carreteiro, indicou-nos que no português existem também algumas palavras irregulares, não sendo no entanto tão dramático como no inglês. O especialista português esclareceu-nos que este fenómeno se designa por "transparência ortográfica", sendo neste caso, o português mais transparente do que o inglês.
 
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