[pub]
Profissionais
Escolha no mapa ou seleccione o critério de pesquisa pretendido:
[pub]
Destaques


Bem vindo ao
Portal da Psicologia

Conheça as condições especiais

de PUBLICIDADE
Contacte-nos


Youtube
Portal da Psicologia no Youtube

http://youtube.com/portaldapsicologia  





 

Publicidade
Foto
Rui Carreteiro

2002-10-23

Estudo Exploratório sobre a Concepção de Depressão

A depressão é uma realidade que afecta cada vez mais a população. A maioria das famílias as nossa sociedade já contactou, contacta ou virá a contactar com um ou mais casos de pessoas deprimidas. Sendo assim, o que será que as pessoas pensam sobre a depressão?

Palavras-chave: Depressão; Etiologia; Procedimentos

A depressão é uma realidade que afecta cada vez mais a população (Widlöcher, 1995; Vallejo -Nágera, 2002). A maioria das famílias as nossa sociedade já contactou, contacta ou virá a contactar com um ou mais casos de pessoas deprimidas. Sendo assim, o que será que as pessoas pensam sobre a depressão?
 
Para o estudo concepção de depressão, parece possível destacar três dimensões: Conceptual – relacionada com o conceito – Causal – etiologia/causas da depressão – e Procedimental – procedimentos a adoptar face à depressão.
Para a doença, em sentido lato, já foram realizados alguns estudos que permitiram a extracção de algumas categorias relativas à concepção leiga de doença, parecendo indicar diferenças nas variáveis sexo e idade dos sujeitos (Reis, 1998).
 
No domínio da depressão não foram encontradas referências literárias, pretendendo-se com o presente estudo – cujas pretensões não podem ir além do carácter exploratório – dar um contributo, quiçá pioneiro, nesta área.
 
Para estudar a concepção de depressão construiu-se um questionário, ao qual responderam 80 sujeitos, obtidos a partir de uma amostra inicial de 300 indivíduos, construída a partir de um critério de acessibilidade.
 
A presente metodologia apresenta algumas semelhanças à utilizada por Fradique, Canaipa, André,Bernardes & Carreteiro (2001). A partir da análise das respostas, verificou-se que a depressão parece sobretudo ser encarada como um estado de abatimento e tristeza, caracterizado pela solidão e isolamento, que se deve essencialmente ao stress do dia-a-dia que pode ser minimizado pelo recurso a um técnico de saúde (e.g. psicólogo, já que o uso da medicação parece ser encarado com algumas reticências).
 
A globalidade dos sujeitos parece discordar completamente que a depressão seja a ausência de saúde ou uma mera anomalia do organismo, consequência do destino e passível de tratar através da astrologia ou de poderes sobrenaturais.
 
No que concerne à dicotomia doença vs. estado (Schwartz & Schwartz, 1993), verifica-se que a maioria dos sujeitos apresenta a depressão como um estado e raramente como doença.
 
Tal como nos estudos acerca da concepção de saúde e de doença realizados por Blaxter (cit in reis, 1998) e Herzlich (cit in Reis, 1998), verificou-se que ao longo das três dimensões consideradas, as respostas geralmente não se baseiam numa única categoria, sendo antes multi-categoriais.
 
Considerando a sexo dos respondentes, as mulheres tendem concordar mais facilmente que a depressão seja “aquilo que o médico/psicólogo diz que é” (a=.001), devendo-se a “uma alteração do funcionamento neurológico do cérebro” (a=.04), ou ao excesso de trabalho/falta de tempos livres” (a=.05), e mostrando uma maior receptividade para as medicinas alternativas (a=.04) e psicoterapia (a=.05).
 
No que concerne à idade, os resultados parecem sugerir uma maior tendência em concordar que a depressão signifique perda de autonomia (a=.05) proporcional à idade, sendo igualmente os idosos quem mais facilmente associa a depressão ao não cumprimento dos cuidados médicos.
 
Assistem-se ainda a algumas diferenças (a=.01) quanto ao admitir recorrer ao médico de família, que parece obter o apoio dos indivíduos com idade compreendida entre os 45-59 anos, mas alguma discórdia dos indivíduos mais jovens (15-29 anos).
 
Quando consideradas as habilitações, verifica-se que os indivíduos com uma escolaridade inferior ao 9º ano tendem a concordar mais facilmente que a depressão signifique perda de autonomia (a=.03), o mesmo acontecendo com a ideia de que a depressão “é o que o médico/psicólogo diz que é”, ou da depressão como algo de base neurológica, que tendem a perder apoio com o aumento da escolaridade (a=-01).
 
Quanto ao recorrer ao médico de família face a uma situação de depressão, verificam-se novamente alguma diferenças, parecendo os indivíduos com menores habilitações concordar mais com esta forma de acção quando comparados com os indivíduos com uma escolaridade superior, Uma vez considerada a área de formação, observa-se que os sujeitos com formação na área das ciências tendem mais a considerar a depressão como uma anomalia do organismo, seguidos pelos sujeitos da área da saúde, sendo os indivíduos com formação em letras os que parecem concordar menos com esta afirmação.
 
Quando a depressão é encarada sob o prisma da culpabilização ou baixa auto-estima, o apoio parece sobretudo surgir por parte dois sujeitos com formação na área da saúde e minoritariamente pelos sujeitos com formação em letras. O recurso à psicoterapia como forma de resolução da situação de depressão tende a ser defendido sobretudo pelos indivíduos da área da saúde.
 
Face a estes resultados, parece ser de concluir que diferentes sujeitos diferem entre si quanto á concepção de depressão, parecendo o género (m/f), idade, grau de habilitações e área da formação académica, ser factores a considerar… Só por si, este aspecto parece defender a pertinência das investigações dentro desta área, bem comoum maior investimento no estudo daquela que muitos afirmam ser a perturbação da sociedade actual.

Fradique, F, Canaipa, R., André, M.J., Bernardes, D., Carreteiro, R. (2001). Representações cognitivas acerca do cancro da mama: Estudo exploratório em mulheres com diferentes formações e carreiras profissionais. Encontro Internacional “Percursos no feminino: saúde e Psicopatologia da Mulher”. Porto.
 
Reis, J.C. (1998). O Sorriso de Hipócrates: A integração biopsicossocial dos processos de saúde e doença. Lisboa: Vega.
 
Schwartz, A. & Schwartz, R.M. (1993). Depression Theories and Treatments: Psychological, Biological and Social Perspectives. New York: The Guilford Press.
 
Vallejo-Nágera, J. (2002). A Depressão – Como lidar com a doença do nosso tempo. Lisboa: Principia.
 
Widlöcher, D. (1995). As lógicas da Depressão. Lisboa: Climepsi Editores.




Rui Manuel Carreteiro
www.ruicarreteiro.com
rui.carreteiro@inpn.org
« Voltar aos temas

Em Destaque

2013-05-27 Psiquiatra que "descobriu" a PHDA confessou, antes de morrer que foi tudo sua invenção!
Leon Eisenberg, famoso psiquiatra que "descobriu" a PHDA confessou, antes de morrer que foi tudo sua invenção. Conheça o artigo compleo em http://www.worldpublicunion.org/2013-03-27-NEWS-inventor-of-adhd-says-adhd-is-a-fictitious-disease.html
[World Public Union]
2013-05-27 Psiquiatra que "descobriu" a PHDA confessou, antes de morrer que foi tudo sua invenção!
Leon Eisenberg, famoso psiquiatra que "descobriu" a PHDA confessou, antes de morrer que foi tudo sua invenção. Conheça o artigo compleo em http://www.worldpublicunion.org/2013-03-27-NEWS-inventor-of-adhd-says-adhd-is-a-fictitious-disease.html
[http://www.worldpublicunion.org/2013-03-27-NEWS-inventor-of-adhd-says-adhd-is-a-fictitious-disease.html]
2011-02-17 Revista E-Pisoclogia - Nº 1 já disponível
Já se encontra disponível em http://www.portaldapsicologia.pt/Imgs/content/page_115/revistae-psicologia.pdf o Nº 1 da Revista E-Psicologia. O acesso é gratuito para utilizadores registados do Portal da Psicologia.
[www.e-psicologia.pt.am]
O Maior Grupo de Psicologia Rodoviária
Área Reservada
Username: Passowrd:
Newsletter
Formação e Eventos
Setembro, 2014
DomSegTerQuaQuiSexSáb
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
282930 
[pub]
Loja

Manual de Neuropsicologia Clínica
€ 27.23

Inquérito
Que Especialidades gostava de ter na Ordem dos Psicólogos?
Carrinho de compras
Total de artigos (0)
Publicidade
© portaldapsicologia.pt 2008 powered by LV Engine